Onde Estamos Errando?

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Oi gente!

Juro que tentei restringir esse assunto a um simples comentário, mas não deu.

Não tem como não comentar a reportagem exibida no Fantástico no domingo retrasado, em que quase todos [senão todos] os produtos utilizados pra fazer escova progressiva foram reprovados pela ANVISA [Agência Nacional  de Vigilância Sanitária]. E sabe por quê isso ainda me perturba tanto? Porque ao final da reportagem uma menininha apareceu chorando e dizendo: “Não quero cachinho”.

Aquilo me chocou tanto, mas tanto, que fico pensando o que passa na cabeça de uma mãe em assistir uma cena dessa e ficar impune. Uma criança de menos de 10 anos se submetendo à tratamento químico dos mais perigosos e a mãe se sente triste porque a filha vai ter que ter “cabelo ruim”, já que os produtos estão proibidos de serem comercializados. Eu fiquei triste por saber que essa é uma criança que nasceu num lar preconceituoso e que não se aceita do jeito que é. Isso sim.

Que o formol faz mal à saúde eu já estava cansada de saber. E que tem muita mulher que ainda tem medo de conhecer seu próprio cabelo também não é mais novidade. Mas o que mais me preocupa é que estão envenenando – no sentido literal e figurado – a cabeça das crianças, e a maioria dos pais não está percebendo. Como podemos desejar um futuro em que o preconceito seja extinto se já estamos criando nossos filhos com auto-estima baixa? Não dá pra ver esse tipo de cena e não se chocar e ficar preocupado com o futuro.

Em contrapartida, na mesma semana, li um artigo na Revista Piauí em que mostra a candidatura de Bill de Blasio [candidato democrata à prefeitura de Nova Iorque] sendo alavancada por um Black Power. Isso mesmo, um Black Power sustentado por Dante de Blasio, filho do candidato, de 17 anos. O cabelo de Dante foi definido como “Afro Estupendo” pelo Daily News, quando fez um vídeo para a candidatura do pai, que é descendente de italianos e alemães, casado com uma escritora negra. O que diferencia um mestiço norte-americano, orgulhoso de ostentar um “black estupendo” de uma menininha de menos de 10 anos que “não quer cachinho”?

Não é tão simples. Apesar de [grandes] diferenças históricas que nos separam [como o Apartheid, por exemplo] que não valem ser alongadas aqui, somos resultado de uma sociedade colonialista, e que sempre manteve o negro à margem de grandes mudanças. Mas não é por isso que temos que perpetuar esse atraso ao longo dos anos e comprometer o nosso futuro. E isso depende única e exclusivamente de nós. Não é a toa que bato tanto na tecla da auto-estima, é porque vocês precisam entender isso de verdade. Já falei isso por aqui, mas não custa repetir: O negro não é lindo por obrigação, e nem pelo histórico que carregamos. Somos lindos porque somos diferentes, porque somos naturalmente coloridos. Somos lindos, realmente! E é isso que vocês precisam passar pros filhos, primos, cada criança na família de vocês. Não podemos deixar que esse veneno se alastre.

Pais, ENSINEM!

Todo o carinho, Babi.

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4 comentários Adicione o seu

  1. Kizzi disse:

    Amei, amei, amei o post. Acho isso mesmo, que a base de tudo esta na aceitação! Passei 17 anos presa a produtos químicos não por gostar de cabelo liso, mas por não me aceitar e não me sentir aceita na sociedade. Agora mandei tudo “as favas” e estou aqui com meu blackinho que passou por 5 meses de transição e agora tem 3 de big chop e nunca me senti tão livre, nem tanto prazer em cuidar do meu cabelo. To super feliz, ensinando minha mãe a assumir o dela e passarei isso aos meus filhos com certeza!
    Lindo post, tá de parabéns!
    Bjinhos

    1. Oi, Kizzi!

      Mais do que agradecer, é agradecer à você que tá praticando o que eu disse! Parabéns!

      Porque você não manda sua foto, a da sua filhota e da sua mãe pra inspirar em família quem ainda tá com medo?

      Tô esperandoooooo!
      Todo o carinho,
      Babi

  2. Sandra Munira disse:

    Legal! Acho bacana entender que isso tudo é processo histórico e social que levou muito tempo sendo construído e se perpetua até hoje porque muitos não sabem como recuperar essa autoestima. Não é da noite pro dia que será desconstruído, por isso o alerta é importante, mas o respeito ao processo de cada um também, ou do contrário estaríamos reproduzindo as avessas o que fizeram conosco. Estou a 5-6 anos nesta (des)construção e é muito difícil. Por pouco não desisti recentemente, bom foi perceber durante o banho que eu não quero abrir mão do meu crespo, só preciso aprender a entender e cuidar dele. Tô gostando muito do blog.

    1. Ô Sandra! Que linda!

      Você entendeu exatamente o que quis dizer.

      Obrigada e seja bem-vinda!
      Fica aqui com a gente, tá?

      Beijo!

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